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Este espaço foi criado com o intuito de mostrar tudo aquilo que se passa na cabeça de um surfista. Desde pensamentos, frases, sentimentos e tudo aquilo que tá presente na vida de cada um de nós. A busca incessante do equilíbrio.
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:: Sexta-feira, Maio 21, 2004 ::

Da época em que Pipeline era virgem

Por Carlos Albuquerque

Fazendo a alegria da rapaziada do surfe há muitos verões, o diretor Bruce Brown chega às praias do Brasil com todo o seu arsenal. Cinco dos seus melhores filmes - entre eles, o clássico "Endless summer" - foram transformados em DVD e acabam de chegar às lojas, via Indie Records. Transformados, sim, brouzinhos, porque como diz o próprio Brown, esses filmes - realizados entre o fim dos anos 50 e o começo dos 60 - estavam quase fossilizados no porão de sua casa, na Califórnia.

Tal como a "Evolução das espécies", de Charles Darwin, os cinco DVDs - "Slippery when wet", "Surf crazy", "Barefoot adventure", "Surfin shorts" e "Endless summer" - ajudam a entender como o surfe nasceu, cresceu e se tornou um dos esportes mais conhecidos do planeta Água.

Mas antes de apertar o "play", você deve ajustar o seu próprio foco para assistir aos filmes. Quem acostumou a retina às produções radicais de Taylor Steele, rei dos vídeos de surfe atuais, e não se cansa de ver aéreos e floaters nos programas de televisão, bem, pode ir tirando as triquilhas da chuva. A coleção de Bruce Brown é outra história, de outra época, em um outro mundo e quase de um outro esporte. É mais ou menos como ver um jogo da Copa do Mundo da Suécia, em 58, e compará-lo com as partidas da Copa do Japão e da Coréia, de 2002. Fica complicado.

Por coincidência, "Slippery when wet", o primeiro filme de Brown, é justamente de 58, o mesmo ano em que Pelé, aos 17 anos, começava a encantar o mundo. E é muito legal reparar nos carros, nas roupas (femininas, inclusive), nos pranchões e nos modos de surfar daquela época. Tudo parece muito romântico e ingênuo - não havia cordinhas e Pipeline ainda não havia sido surfada - para quem sabe das altas cifras e do interesse comercial que o surfe desperta hoje.

Com exceção de "Endless summer", nos outros filmes de Brown, que também narrava suas produções com muito bom humor, o mundo praticamente se resumia à Califórnia, ao Havaí e, no máximo, ao México (descoberto em "Surf crazy"). Ao fundo, nada de hardcore. O que rolava era surf music clássica e muito jazz, a cargo do craque Bud Shank. Muito diferente, muito legal. O tempo não pára, claro, mas os cinco DVDs de Bruce Brown ainda são bons o suficiente para fazer a cabeça, inclusive aquelas já grisalhas.

:: 2:13 AM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Quarta-feira, Maio 19, 2004 ::

Instituto



O que é o Instituto - uma compilação, um movimento, um estúdio, uma fraternidade, um núcleo criativo?

O que é um produtor, o que é um DJ, o que é um artista solo, o que é um "projeto"? Na música pop atual as barreiras entre categorias vêm sendo anarquicamente borradas & ignoradas por uma geração para quem a tecnologia é apenas um isqueiro para acender o rastilho da criatividade, & a "assinatura" é mais uma oportunidade para bagunçar a noção de autoria:

Remixes em que não aparece nada da gravação original, ou a aparição do chamado "bastard pop", onde moleques simplesmente acoplam samples de duas ou mais músicas, à revelia de gravadoras, para criar um hit instantâneo pela Internet - este é um mundo de pesadelo para os carcereiros da cultura...

Ou um mundo de possibilidades para quem tem algo a dizer, & curiosidade para ouvir o que está estourando em volta. Rica Amabis (autor do brilhante álbum Sambadelic), Tejo Damasceno & Daniel Ganja Man são os caras. Produtores, criadores, engenheiros, parteiros, músicos, médiuns, patchworkers - o Instituto é uma resposta.


Te informa mais no site aí.

www2.uol.com.br/instituto

:: 8:57 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
Esse texto é em homenagem a um cara que tem provado que realmente entende de música. Carlos Guimarães. Como ele mesmo diz "os caras não me dão valor...".

Por que não música?

Música, depois do futebol, é o principal produto cultural de exportação do Brasil. Lá fora, quando se fala que é brasileiro, mencionam um jogador ou um músico, não tem jeito. Porém, no jornalismo tupiniquim a música é tratada com desdém. Tirando as reportagens dos cadernos culturais dos grandes jornais, seus (poucos) repórteres especializados e outras raras exceções, não existe espaço para o assunto.

Difícil acreditar que isso seja devido à falta de interesse dos brasileiros. Além do aspecto cultural, o consumo de música por aqui é alto. O Brasil é um dos dois únicos países onde se vendem mais discos de artistas nacionais do que internacionais. O outro é os Estados Unidos.

Os mesmos números que comprovam o interesse parecem querer desmentir quando se trata do mercado editorial. Enquanto as revistas Caras, Quem, Istoé Gente e Chiques e Famosos têm, somadas, uma tiragem semanal aproximada de 675 mil exemplares, praticamente não existem revistas de música por aqui. Pelo menos não em números tão expressivos.

Após o fim da Bizz, o que restou foram publicações em escala bem menores, geralmente locais e com pouca distribuição. As maiores hoje são a Revista da MTV, que conta com o poderoso apoio da irmã televisiva na divulgação, e a Zero, de São Paulo, difícil de ser encontrada mesmo no Rio. Imagina em outros estados.

A julgar por esses dados, a conclusão lógica é que o brasileiro só se interessa mesmo é por fofocas e detalhes da vida dos famosos.

Parte do problema deve-se à falta de investimentos no setor. No meio impresso, as partes interessadas na existência de um veículo que trate do assunto - leia-se rádios, gravadoras, etc. - preferem botar dinheiro em seus próprios departamentos de imprensa ou na criação de veículos próprios.

Por que? Simples, assim asseguram o conteúdo sempre elogioso no que se refere aos seus produtos. Coisa que nem sempre os assessores de imprensa conseguem arrancar dos jornais e revistas.

Não existe interesse das empresas em investir neste tipo de profissional porque podem pegar este material pronto das gravadoras.

Não é necessário uma editoria especial, basta um jornalista capaz de transformar releases em textos jornalísticos. Pro diabo com apuração e isenção, o que interessa é economizar.

Na televisão essa questão fica ainda mais clara. Esse tipo de especialização simplesmente não existe. É um tal de repórter de qualquer editoria, de terno, fazendo matérias em shows de rock, depoimentos de grandes artistas que se perdem por falta de conhecimento do entrevistador... É de doer.

Talvez porque eventuais mancadas acabem passando despercebidas. O repórter até pode chamar um artista de MPB de punk que a sonorização da matéria provavelmente vai desmentir. Como a questão é música, o som acaba falando mais alto.

O público leitor de música, além de grande, é especializado. Tanto quanto o de esportes. Estranho este dado continuar não sendo levado em conta.


Por Bruno Natal Ribeiro

:: 4:45 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
"Não é necessário procurar a Terra Pura muito longe, cem mil terras além. Se a mente for pura, a terra é pura. Se a mente for maculada, a terra é maculada".

:: 3:13 AM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
O tempo, o vento , nós e todo um mundo que se tem pra inventar

De quantos inventores se necessita para inventar um Brasil? Quantos aviões são precisos para desinventar Santos Dumont? Quantas fomes vão parir outras tantas Carmens Mirandas?

Nelson Rodrigues: só você para inventar um Fluminense que pelo qual um flamenguista torça.

Graciliano Ramos: Você e suas previsões mirabolantes sobre um país de buscapés, imune aos center-halfs e back keepers da Inglaterra.

Sim, sim... Ouço o Pixinguinha em seu doce lamento... Jazz band é o caralho!

A passeata contra a guitarra elétrica deveria ser estudada com mais atenção. Quantos anos nós temos agora?

Os subúrbios do terror ainda somos nós, para muito além dos nossos quintais. Agora tenho vontade de inventar uma mentira de clima extremamente frio.

Eu quero Ipanema chovendo e pronto, agora chove e é isso aí, azar dos fatos, pois, nestes casos, de que adiantam fatos? Afinal de contas o Brasil não é o país do delírio? A gente não vive contando e se regozijando das nossas mentiras embelezadas? Aquele orgulho tórrido e canhestro das nossas misérias embelezadas?

Somos uma espécie de carnaval fora de época, de micaretas da exclusão e sua sexualidade ansiosa e olímpica?

Seremos condenados a viver e não termos a vergonha de sermos felizes? E cantar, e cantar? Será esse o hino da nossa ciclotimia?

Verdades cartografadas impregnam de certezas o microcosmo expulsando para uma cordilheira vizinha a saudade e sua gang. A saudade é parnasiana e é uma espécie de orgulho nacional fantasiar o monopólio do seu significado.

Heranças lusitanas.

Como é rica a subjetividade! É tão lindo quanto perguntar o que seria da física se Einstein não tocasse violino. Mas lamentavelmente os idiotas da objetividade prosseguem empatando e transformando o nosso imaginário numa verdadeira caricatura de falsos orgulhos e suspeitas depressões. Tudo é delirante, Deus é brasileiro e nós somos um povo muito alegre, mas eu continuo duvidando disso e sei muito bem que isso não tem condição de se sustentar por muito tempo.

Daí eu me dou ao luxo de ser entusiasmado. E sou mesmo.

Quantos aquilos são necessários para isto? Tudo é compartimentado, tudo é separado e o inimigo é o grande espetáculo surgindo radiante.

Daí a bossa nova, a moral e cívica e suas professoras balzaquianas fãs de Chico Buarque e Edu Lobo.

Daí as domingueiras no clube Caiçaras nos anos 60 em Ipanema, The Bubbles, Analfabeatles, The Pops, começo a ouvir aquele clássico solo do "Milionários".

Daí os festivais da canção e suas torcidas apaixonadas. Doidões, caretas, pioneiros, estudantes, sargentos.

Macalé em Gotham City eu ouvi extasiado no Maracanãzinho com sonorização Amplicord.

Quantos Brasis hoje serão necessários para inventar uma pessoa de verdade?

Nos anos setenta a parada lá em Ipanema era o Bruni 70. Rolavam altos sons com Módulo Mil, Mutantes, O Peso e o escambau.

Lá em Sampa, era Chic Show no Palmeiras: Melodia e Tim Maia (foi lá que inventaram o termo "mandaram o lima").

Anos 80: Ultraje cantando num porão "A Gente Somos Inútil". Roger é Adoniran agora.

Geração encurralada que quase sempre não saiu do 0x0.

Anos 90: Agrobregas em delírio trovejam em vibrato mavioso nos descampados semidesertos da quinta margem do rio.

Copacabana zomba da decadência com sua beleza farta,exuberante e incondicional. Quantas fomes vão parir outras tantas Carmens Mirandas?

E eu continuo aqui tremendo de entusiasmo!

A música nasce dos pequenos absurdos do dia-a-dia e poesia é simplesmente percebê-los nascendo.

Talvez a música tenha uma geografia muito mais misteriosa.

A vontade é uma droga poderosa e a música tem a geografia da vontade.

E os absurdos voam alegres pelo ar.


Lobão

:: 3:08 AM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Terça-feira, Maio 18, 2004 ::


Olhar pela janela. O olhar do olhar.
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Você pelo caminho

E por ter te encontrado pelo meu caminho, as nuvens se afastaram envergonhadas para dar passagem ao sol que explodiu em meu peito; e por ter te encontrado pelo meu caminho, vesti o sorriso com as melhores roupas para, no segundo seguinte, serem arrancadas pelo seu olhar; e por ter te encontrado pelo meu caminho, calei a sinfonia dos pássaros para escutar o concerto do seu coração; e por ter te encontrado pelo meu caminho, escrevi uma carta apenas com adjetivos verdes claros; e por ter te encontrado pelo meu caminho, fechei os olhos e senti o cheiro molhado da felicidade; e por ter te encontrado pelo meu caminho, uma estrela cadente atravessou o céu e pousou entre os meus cabelos; e por ter te encontrado pelo meu caminho, retirei dos bolsos todas as moléstias do dia; e por ter te encontrado pelo meu caminho, mergulhei de roupa no mar; e por ter te encontrado pelo meu caminho, pesquei no vento palavras como solfejo, damasco e perambular; e por ter te encontrado pelo meu caminho, enterrei em seus olhos duas rosas virgens; e por ter te encontrado pelo meu caminho, sonhei um dia eterno na sua vida, e por ter te encontrado pelo meu caminho, sempre vou ao mesmo lugar; e por ter te encontrado pelo meu caminho, aponto meus desejos para seus sonhos e gargalho quando os avisto transando até gozar; e por ter te encontrado pelo meu caminho, minha vida ganhou um único espaço, do qual o limite são seus abraços!

Alisson Villa

:: 2:46 AM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Segunda-feira, Maio 17, 2004 ::

"Agora e sempre, é necessário que nos isolemos entre as profundas montanhas e ocultos vales para restaurarmos o nosso elo com a fonte da vida. Inspira profundamente e deixa-te pairar nos limites do unvierso; expire lentamente e traze o universo que está dentro de ti para fora. Finlamente, mistura a respiração do céu e a respiração da terra com a tua respiração, tornando-te a própria realização da vida."

:: 11:52 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________

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